Review: Desobediência Civil, de Henry David Thoreau
O ponto que um homem chega quando não quer pagar impostos
Brincadeiras à parte (mas nem tanto), o ensaio Desobediência Civil é um clássico dentre os livros políticos mais influentes publicados no séc. 19. Publicado apenas um ano depois e tão revolucionário quanto O Manifesto Comunista, Desobediência Civil se mantém atual em suas percepções sobre o indivíduo, ação individual e a recusa do Estado de aceitar a liberdade e o uso de seu monopólio da força para estabelecer o status quo.
Nascido de uma noite passada na cadeia por sonegação de impostos (meu herói) Thoreau em míseras 60 páginas defende sua recusa de participar de um Estado o qual o desagrada e considera incompatível moralmente. Ainda mais admirável é o fato de que não é apenas um grito idealista ao vento, mas Thoreau realmente aplicava na prática sua filosofia.
Contudo, triste embora compreensivelmente, a falta de uma leitura histórico-materialista da sociedade ao seu redor e do papel do Capital nos problemas que ele denuncia é evidente no livro. Ainda assim, o livro tem um valor importantíssimo no canône político é leitura essencial para todos que queira aprender mais sobre o nascimento do movimento que viria a marcar as décadas seguintes e entender sobre a filosofia anarquista e…. cof cof…. libertária 🤮.
Thoreau engatinhou para que Bakunin, Kropotkin e Malatesta andassem… por mais que Proudhon já estava dando voltas.